Depois de um longo período de férias, retorno à minha Casca de Noz. Desta feita, numa breve passagem, quero apenas mostrar "Freud na Sapucaí". Numa próxima oportunidade que, creio eu, não se protelará, com mais calma, contarei em crônicas momentos de férias e devaneios mil. Saudo a todos que visitaram-me enquanto não estive aqui e, de alguma forma, externaram alguma forma de caminho. Sejam todos bem-vindos novamente à La Vita Mia.
Freud na Sapucaí
Cansado de teorias simplistas, retiro-me para minha casca de noz. Um universo muito restrito, pode ser. Mas confesso que o domínio público me assusta. Lamento por Freud, coitado. Fora assimilado pelo povo. Quase tudo pra ele estava atrelado à sexualidade. Fora simplista e o povo gostou.
Não se tem dificuldade, principalmente em época de carnaval, em se encontrar seguidores de Sigmund. Estão espalhados por toda parte. Você entra num elevador e é indagado: "e aí, vai brincar muito no carnaval?" Não precisa ser um bom conhecedor de psicanálise, muito menos da premissa do seu pai, pra entender subconscientemente o "brincar" dos freudianos (aqui, não me restrinjo ao gênero masculino do adjetivo) . Queria poder brincar de fato, sem ser psicanalisado. Ficaria assustado? Sim, possivelmente olhando pra todos os lados com medo de tomar uma garrafa d¿água na cabeça, uma urina contida num saco (não pensem em má formação congênita) ,ou até mesmo um soco letal. Diante de tudo isso, ficaria sim assustado. Mas não pensem que estou, senão com um asco tremendo da vulgarização da teoria freudiana.
Lamento pelo povo brasileiro, coitado. Contenta-se com frases fecundadas pelo ócio elaborativo que até Nossa Senhora duvida das intenções. "O Brasil é o país do futebol!", "O Brasil é o país do carnaval!", "A única coisa ruim no Brasil é a fome!"....e por aí segue o simpósio da massa. Mas agora é a vez do carnaval! Cortemos verba do pão, pois o circo está em alta! Mais uma vez lamento. Desta feita, até me atrevo a lembrar aos hedonistas que a "comida" (estou sendo contaminado pelo povo. Até aqui as aspas estão me protegendo da vulgarização) pode acabar em duas semanas.
Um indelével sentimento está a me afligir. Trata-se de um desgaste percussiante, dizem que é uma música. Não sei bem o que é, confesso. Estão todos de cócoras à beira de uma garrafa, outros mandando um tal Serginho ir não sei aonde, um mais exaltado dizendo que não sabe fazer poesia e manda todos "se fuderem". Deve ser mais sigmund freudianos, soa tão pueril! E pior: o volume alto e ressonante na avenida está quebrando minha casca de noz.
Quebrou! Agora estou no meio do povo, no carnaval, na avenida,....totalmente contaminado. Tenho que gritar, senão, não serei ouvido. Mas gritar o que? Só me resta ser simplista: USE CAMISINHA!
Ismael Alexandrino.
A todos, um grande abraço.
made in Casca de Noz às 8:25 PM
|