Meu breve, porém constante sumiço, ultimamente deve-se ao fato de eu estar em Goiânia City. Estava com muitas saudades dessa maravilhosa cidade. Dos ente-queridos então, nem se fala. O convívio com quem a gente gosta é sempre muito bom. Rever amigos, parentes, brincar com os irmãos com sobrinhos...muito bom mesmo. E nesse espírito de brincadeira, resolvi brincar com as palavras. Propus a um de meus três sobrinhos que fizéssemos um texto juntos e ele aceitou.
A proposta era que eu digitasse uma ou mais palavras que viessem na minha cabeça e passasse o teclado pra ele. Gabriel, em seguida, faria o mesmo. Tudo isso sem que tivéssemos consciência do que o outro escrevia e sem que olhássemos o que já havia sido escrito. Só falávamos um para o outro se fora "ponto" ou "vírgula" que havia colocado. Inclusive o título fora feito dessa forma.
Observem que com o que saiu no "Canhão de papel" 'Nada ficou no lugar'.
Canhão de papel
Tudo é passou foda de uma brincadeira. Mas, estava ótimo, frio, lembro bem. Linha de risco ....me olhava oito moedas como nunca tinha olhado antes tacar. Um momento mágico, observatório, algo realmente diferente revista masculina, então ela perder a seta mas como brincadeira, relógio de manhã. Naquele tempo, só que, naquele tempo não tinha, quatro porcarias, saímos de casa cedo a flor da misericórdia esta sangrando, passamos naquelas lojinhas de conveniência. Há uma calculadora estragada ,ela pegou uma cerveja e eu, como não gosto, um vinho tinto suave. Mas minha cicatriz dói, entramos no carro, era um dia daqueles sem sol, mas sem chuva também, diria, um tempo agradável.
Parece que os cabelos, os cabelos estão na roda, naquela estrada, corria muito, no ritmo daquela música Mr. Jonnes. O olho esta vendo o verde do parafuso embocar. Numa das curvas da estrada, avistamos ao longe uma serra muito bonita.Agora acabou, resolvemos parar o carro e contemplar aquela paisagem bela. A chave esta torta mesmo!!!!! A única coisa que sentíamos naquele lugar, além de nós, era uma leve brisa. Rio do ¿M¿ mudo ; em silêncio, ela me olhou nos olhos e aproximou-se de mim, bem pertinho, porque eu sou o rei. O beijo foi inevitável, algo único, sintonia perfeita, qualquer um leva um choque. Resolvemos que guardaríamos o carro por ali e ali mesmo passaríamos a noite. Telefone almofadinhas e pontas. A bebida que tínhamos levado, fora toda consumida em minutos, melhor assim!! Já não sabíamos o que fazia, não sabíamos. Monstros de ketchup e naquele ambiente no qual ninguém nos via, nos sentíamos intensamente. Os planetas roxos e as R1¿s , percebia-se toda um desordem emocional, uma desordem no ambiente, uma desordem hormonal, fisiológico, um reboliço.
Ninjas não usam botas. Não usávamos nada que pudesse nos privar daquele momento, nada... aves em montanhas! Se já não era de esperar, pelo menos o risco era iminente. Cabeleleiros cortam livros na água. Bilirrubina engravidara. Só que tem um giz no meu pacote de bolachas. Um menino amarelo, com cara de anêmico...vamos acabar com isso logo??? Nove meses esperando ansiosamente pra ver aquele coisa magra,, aquela langüira. Gabriel nascera.
Apenas porque a bola esta rodando na luz...Pense num menino catarrento, chorava dia e noite. Gostaria que passasse essas vinte e sete linhas! O menino cresceu igual fermento de bolo de pobre. Não gosto de aranhas virtuais que demoram a atacar.
Mas veio uma forte epidemia na região, isso é o bicho: ônibus espaciais da mãe estelar, quase todas as crianças foram contaminadas, quase todas. O celular tocou e o bip também . Foi muito forte pro garoto agüentar, muito duro. Já não tenho mais idéias; a família ficou arrasada quando recebeu a notícia. É a dura da madeira hehehehehe não faço idéia de como essa bosta vai ficar! Mas não teve como, o menino morreu!
Ismael Alexandrino e Gabriel Carvalho
A todos, um grande abraço.
made in Casca de Noz às 11:07 AM
Meu breve, porém constante sumiço, ultimamente deve-se ao fato de eu estar em Goiânia City. Estava com muitas saudades dessa maravilhosa cidade. Dos ente-queridos então, nem se fala. O convívio com quem a gente gosta é sempre muito bom. Rever amigos, parentes, brincar com os irmãos com sobrinhos...muito bom mesmo. E nesse espírito de brincadeira, resolvi brincar com as palavras. Propus a um de meus três sobrinhos que fizéssemos um texto juntos e ele aceitou.
A proposta era que eu digitasse uma ou mais palavras que viessem na minha cabeça e passasse o teclado pra ele. Gabriel, em seguida, faria o mesmo. Tudo isso sem que tivéssemos consciência do que o outro escrevia e sem que olhássemos o que já havia sido escrito. Só falávamos um para o outro se fora "ponto" ou "vírgula" que havia colocado. Inclusive o título fora feito dessa forma.
Observem o que saiu no "Canhão de papel".
Canhão de papel
Quarta-feira, Dezembro 10, 2003
Ela, pronome interrogativo
Costumo dizer que a música consegue exprimir o inexprimível. Só ela tem a capacidade de traduzir sentimentos, só ela é capaz de alimentar e, paradoxalmente, acalentar tais sentimentos, só ela e mais ninguém. Por isso, ponho-me a cantá-la. Só cantar, nada mais. Até dá vontade de tocá-la, sei lá, quem sabe uma lira, ou um violão. Gosto da lira porque com um simples toque suas cordas entram em ressonância e a consonância, a partir daí, é algo mágico, muito natural. Num instante o ambiente está todo contagiado.
Mas não sei tocar lira. Já até me disseram que tenho dom, que a mão é boa, mas infelizmente não sei. Só me resta saltar nas teclas do piano. Ora música em um tom alvo, ora em negros semitons. É difícil tocar em semitom, mas confesso que é aquela notinha negra que dá o charme da música, é justamente ela que quebra o gelo, a monotonia. No momento em que a toco percebo como é necessária numa canção. Acreditem, o brilho é outro, instantaneamente percebido.
Já toquei Aline em sol. Na verdade, naquele mês de julho, com certeza o sol era maior. Era bem novo e ela, nem tanto, já havia sido tocada por bons maestros desde que Christophe a fizeste. O fato é que a toquei naquele casamento na chácara do tio Pedro. Por Elise me apaixonei logo de cara. Era muito bonita, sem dúvida uma das mais belas. Contudo, com tanta gente em volta, não foi nada fácil tocá-la, mas o fiz com grande satisfação. Beethoven, seu pai, ficaria satisfeito em ver a cena. Mais tarde, nesse mesmo dia, quando quase todo mundo já tinha ido embora da festa, larguei o piano e cantei algo mais popular. Sabe quando a festa acaba e só fica as pessoas mais íntimas? Íntimas?! Íntimas não! Intimidade é uma idéia muito forte, um caminho muito estreito e que dá muita liberdade. Se elas ficassem sabendo que as tratei assim poderiam querer abusar da consideração e tal, e isso desgasta. Não seria bom e, por favor, peço que não contem a elas. Pois é, foi aí que cantei Carla. Lembro bem, LS Jack estava no auge. Todos esbravejavam e, empolgado que estava, cantei direitinho. Mas a música acabou e todas as pessoas foram embora.
Vi quando a última saiu pelo portão. Ainda me deu um aperto no peito, um vazio no coração. Nada de tão emotivo. São aquelas emoções compulsivas que bêbado tem no final de festa, que abraça todo mundo e depois, se alguém vai embora, ele chora "ressaqueado". Dá até dó. Dó, até dá. Mas não estava assim cambaleando como bêbado. Definitivamente não estava, afinal, nem tinha bebido, a não ser um "crush" quente e sem gás. Por mais que o drink ingerido não fosse lá essas coisas não seria capaz de despertar-me emoções compulsivas. Então estava mesmo era com o dito vazio no coração, só pode ser. Talvez a falta de alguma daquelas pessoas que foram embora.
Não me lembro bem dessa parte. Na verdade, lembro, mas não sei exprimir ...por mais que esprema, não sai, não sei mesmo. Voltei meu pensamento para o piano buscando na memória o som de Aline. Desta feita, não consegui lembrar de como a tocava. Por Elise, parece que fora somente paixão mesmo, pois também não saia uma nota sequer. Carla, esta nem comento, pois nunca a toquei no piano, somente a cantei naquela rápida ocasião. Não fazia meu gênero. Diante daquele instrumento não saía um tom, quanto mais os enfeites semitonantes. Foi quando começou meu descaso pelo piano, foi quando despertou-me o desejo de tocar lira.
De volta pra casa, aproveitarei momentos de reclusão para dedicar-me ao aprendizado da nobre arte. Num futuro breve, quem sabe, consiga exprimir através da perfeita afinação das cordas e de seus arpejos o aperto no peito e o vazio no coração.Talvez.
Ismael Alexandrino
"De volta pra casa
Mudaram as estações,
Nada mudou,
Mas eu sei que alguma coisa aconteceu.
Está tudo assim tão diferente.
Se lembra quando a gente chegou um dia a acreditar
Que tudo era pra sempre,
Sem saber que o pra sempre sempre acaba.
Mas nada vai conseguir mudar
O que ficou,
Quando penso em alguém só penso em você,
E aí, então,
Estamos bem,
Mesmo com tantos motivos pra deixar tudo como está,
Nem desistir, nem tentar.
Agora tanto faz,
Estamos indo de volta pra casa."
A todos, um grande abraço.
made in Casca de Noz às 12:51 AM
Sexta-feira, Dezembro 05, 2003
Casamento de astros
A brisa serena e fria
Em gotas prateadas,
Como que um spray,
A maresia.
Ondas se atropelando
Querendo chegar à praia,
Transeuntes se ajuntando
Uns de calça, outros de saia.
O céu, pomposa igreja,
Capela de grande nave enseja,
Ao som de um clarim.
Houve um pequeno atraso
Mas ao astro, sem embaraço,
Vi a lua, bela noiva, dizer sim.
Ismael Alexandrino
Huwelijk of stars em Las Vegas
Outro dia, já à noitinha, o telefone tocou. Pela voz percebi que estava afobada. Queria avisar-me do casamento e que já estávamos atrasados. Sem delongas, desliguei o telefone, passei o pente no cabelo, um jatinho de perfume no pescoço, um na orelha e um no braço. Precisava respirar meu cheiro, precisava sentir-me eu para presenciar aquele momento. Disseram-me que seria único e acreditei.
Então desci, andei um pouco pelo calçadão da praia e sentei-me na mureta a fim de presenciar a cena. Realmente ímpar. Todos os transeuntes paravam e olhavam pelo menos um pouquinho. A noiva estava radiante, bem redonda e clara. O noivo, este estava como de praxe: elegante, porém adentrando ao cenário de forma discreta. O centro das atenções era mesmo a noiva. Naquele fenômeno natural até o nome já dizia...eclipse lunar! Fiquei pensando como é interessante o casamento entre os astros. Um tanto quanto efêmero, mas convenhamos, muito bonito.
Pensando nessa beleza da união, lembrei-me do casamento de uma pessoa mui querida. Amandinha, há poucos dias, ainda mandou-me seu convite de casamento. Com certeza sua estrela vai brilhar daqui alguns dias como os astros. Creio que de uma forma bastante peculiar e, no mínimo, interessante.
Atualmente ela reside na Holanda, onde estuda. Jan, seu noivo, é natural de lá. Ambos, apaixonados como manda o figurino, daqui a alguns dias voaram pras terras de Tio Sam, onde casarão. Não poderia existir um cenário mais belo pra uma festa tão célebre que Las Vegas. Disse-me que é um sonho de Jan e assim será feito. O hotel Veneza os espera. Julgo ter sido uma boa escolha. Com direito a todos os requintes que a ortodoxia e a finesse de uma dama carece. Véu e grinalda, orquestra, limusine e lua-de-mel. Bom, lua-de-mel, esta a princesa da vez disse que nem ela sabe, será surpresa do noivo. Sei que haverá um passeio pelo Grand Canyon e coisa do tipo, mas não que isto seja o passeio pós-nupcial.
Conversando com ela e sentindo a empolgação mais que justificada, fez reacender meus projetos. Contudo, sem ao menos ter namorada, creio que meu pós-núpcias na polinésia francesa ainda vai demorar alguns bons dias. Não tantos, porém, pois os filhos que vierem desejo que encontrem um pai com vigor pra com eles divertir. Antes destes, que venha uma paixão daquelas que pegam de jeito, daquelas em que a doação de carinho nada mais é do que reflexos do pulsar de um coração relicário.
Enquanto isso, alegro-me na felicidade dos meus caros amigos desejando-lhes toda sorte de alegrias e bênçãos supremas e sempiternas.
Nada pior pra um amante da palavra que ser privado de escrever. O dia pode ser cheio de atividades, mas parece que falta-lhe algo. O tempo que se fica na abstinência é fator determinante no agravamento . É como uma doença que se quer esquecer, mas a todo tempo ela cutuca dizendo que ainda lhe acomete, e se você ficar postergando o tratamento dela só piora. (Não gostei da comparação. Aliás, a comparação era pra ser essa mesmo, não gostei da forma que a fiz. Indícios da atrofia lingüística). É terrível.
Em todo canto que vai escuta algo que lembra que já escreveu algo sobre aquilo ou que seria interessante escrever daquilo. Então começa um turbilhão de idéias na cabeça. Afloram conjecturas mil. Neste momento, as áreas de Brodman do cérebro dão piruetas uma em cima das outras. Insights e insights vão aos tapas pra ver qual se destaca mais e ganha algumas linhas de papel. Neurotransmissores, de tão ávidos por trabalhar, se perdem em meio a sinapses desnorteados. Mas o desnorteio e as perdas são só naquele momento. Afinal, tudo fica registrado nos conscientes interessantes e sub-reptícios dos meandros encefálicos. Por vezes, tento resgatar algum passado longínquo e epigrafá-lo. Não raro, consigo. Quando não estou em estado de déficit cognitivo agudo, é claro.
Agora, por exemplo, enquanto como um pãozinho com frutas pra alimentar quem de mim se alimenta, nada vem à mente, senão a cronicidade da atrofia cerebral voltada pra escrita. Podia atrofiar outra coisa, sei lá...maus pensamentos, a impressão de que vou perder o vôo pra Goiânia semana que vem. Mas nada disso ocorre. O sistema límbico só trabalha em prol desses maus pressentimentos. Ativar minha criatividade pra escrever que é bom, nada. Já pensei até em contar como foi o meu dia hoje. Mas seria muito egoísmo. O dia não foi meu, o dia foi de todos. Seria apossar de algo comum a todos e voltar o foco pra mim. Não, isso não. Me sentiria uma estrela e ninguém é estrela dormindo até agora e vindo escrever o que não sabe dizer. Seria expor demais meu momento de inatividade física e mental. A inatividade física até que se justifica, pois o sol a essa hora me tostaria se, porventura, descesse pra correr na praia. Mas a inatividade cognitiva...essa não. Por que me trair logo agora?
Sinceramente, entrei em um processo de intoxicação mental agudo. Sinto isso. Meu córtex encefálico constipou-se. Não sinto mais aqueles peristaltismos cerebrais. Tudo parece tão quietinho, sonolento, que dá até dó de acordar. Mas como uma doença aguda se não bem tratada pode tornar-se crônica, não posso negligenciar tratamento. Não posso deixar que meus pensamentos necrosem e a escrita fibrose. Vou atrás de uma terapia. Se necessário, uma fisioterapia, só não posso deixar os neurônios em estado de letargia total. Tenho que esticar e movimentar as perninhas de axônios e dendritos.
Contudo, parece que ainda não é chegada a hora. Um outro peristaltismo neste exato momento está acontecendo sem que o estimule. Por que isso acontece? No cérebro tenho que provocar, me esmerar e tal. Esse outro não. Basta comer pãozinho com frutas. Acho que...acho que...acho nada...ai! ...vou parar com divagações e tentativas de explicação do porquê estou sem inspiração pra escrever porque não dá tempo pra fazer isso agora pois o peristaltismo está aumentando e a única coisa que poderei cognitivamente estimular será os neurônios infantis que lerão se der tempo os gibis e histórias em quadrinho que margeiam o trono em terra de extinta monarquia...ai...ai....
Ismael Alexandrino.
A todos, um grande abraço.
made in Casca de Noz às 1:33 PM
Sobre mim e meu cantinho
Rebentei, mas não explodi. Numa manhã de 1983, em Goiás já se tinham passado 26 dias do mês de julho. Não me lembro muito bem como foi. Aquele cara de touca que não queria me cheirar, tinha nojo de me pegar e ainda me virava de cabeça pra baixo. Fez aquele momento cair no esquecimento. Perambulando pela vida, caí em Recife, onde, dentre outros hobbies, curso medicina. Neste recinto, nunca minto. La Vita Mia é uma generosa cria. O que faço quando posso, o que penso quando penso, o que sonho e projeto quando acordo. Hobbies conhecerão por aí fazendo parte daqui. Puxe uma cadeira, peça um foundie, tire as rusgas da testa, mas não pare por aí. Vamos prosear, não se acanhe em se expressar. À vontade pode ficar, pois respeitado será quando falar. No mais....Carpe Diem and Carpe Vita!